- Um mundo descontrolado, escondido, onde se pode tudo
A VISÃO falou dele em Fevereiro de 2012.
As páginas são vermelho-sangue. Os títulos escorrem pelo ecrã, provavelmente fazendo crescer água na boca aos que aqui chegam, buscando informações sobre "vampiros a sério". É muito fácil aceder a este fórum, onde milhares de adolescentes publicam perguntas quase inocentes, inebriadas pela beleza dos seres mitológicos de Crepúsculo, a saga da escritora Stephenie Meyer, imortalizada no cinema. "Como posso ser uma vampira de verdade?", questiona Chelsea3.
Numa das respostas, alguém a convida a seguir um link: "Deixa-me morder-te." Aceite o convite, mergulha-se noutro site, alojado num plano paralelo à net livre, em que as conversas rapidamente deixam de ter graça e o divertimento pode acabar em pesadelo. O fórum que continua nesse submundo da internet já tem gente que diz gostar mesmo de beber sangue e debate, entusiasticamente, o êxtase de sexo com cadáveres.
Bem-vindos à Deep Web, ou internet profunda, um mundo secreto dentro da rede, também conhecido por dark net, em referência ao lado mais negro do que ali se passa, a coberto do anonimato. Em acelerado crescimento nos últimos anos, esta face oculta da web foi sendo ignorada como estando reservada a piratas informáticos, loucos e excêntricos. Mas casos como o do "Canibal de Rotenburg" fizeram as polícias de todo o mundo olhar com mais atenção para este universo paralelo. Em 2003, o alemão Armin Meiwes colocou um anúncio num fórum de canibais da Deep Web, que muitos julgariam ser apenas uma brincadeira de mau gosto: "Procuro homem bem constituído, 18-30 anos, para ser esquartejado e consumido." A verdade é que alguém respondeu. Bernd Jürgen Brandes ofereceu-se e, durante dez meses, Meiwes foi comendo, pedaço a pedaço, 20 quilos do seu corpo.








