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| James Wannerton, aos dez anos |
Ketchup, presunto, elástico e torta de amêndoa são apenas quatro dos vários sabores que James Wannerton degustou durante nossa entrevista. Ele concordou em conceder a palavra porque meu nome, Kate, tem gosto de chocolate e, segundo ele, suas papilas gustativas o distrairiam durante boa parte de nossa conversa.
Wannerton tem um tipo raro de sinestesia conhecida como sinestesia léxico-gustativa, o que significa que sua audição e seu paladar não funcionam separados um do outro. Para Wannerton, cada palavra falada tem um sabor distinto. Embora esses sons não tenham uma ligação clara com seus respectivos gostos, os sabores são sempre os mesmos; a palavra "falar", por exemplo, tem gosto de bacon desde que Wannerton se entende por gente.
“Palavras e sons fazem 'ping, ping, ping’ na minha boca o tempo todo, como uma lâmpada piscando sem parar", explicou. “Alguns sabores vão embora rápido, mas outros podem durar por horas e me fazem desejar aquela comida específica; fico meio distraído até satisfazer a vontade.”
Wannerton acredita que já nasceu com a sinestesia, uma condição herdada de sua mãe, que vê "os dias da semana como cores". Em geral, a sinestesia não é tão rara; ela ocorre em quase 4% da população e costuma se manifestar como uma ligação entre letras e cores conhecida como sinestesia grafema-cor. Essa condição faz, por exemplo, que os afetados "saibam" com toda certeza que a letra "A" é vermelha. O tipo de sinestesia rara de Wannerton, porém, levou décadas para ser propriamente estudada.