7 de abr de 2016

O Sequestrador e o show na imprensa

  • O dia que um sequestrador realizou uma conferência de imprensa com uma arma na cabeça de um homem

Na manhã de 08 de fevereiro de 1977, Tony Kiritsis entrou nos escritórios da empresa Hall Hottel, em Indianápolis, nos EUA, para conversar com o corretor de hipoteca e herdeiro do dono da empresa Richard Hall. Tony aparentava calma e entrou na sala de Richard carregando uma caixa de flor debaixo do braço. 

Poucos minutos depois, ambos surgiram na porta: Tony mantinha o dedo no gatilho de uma escopeta amarrada a uma cabo de aço que envolvia o pescoço de Richard, o cano da arma era pressionado diretamente à base do seu crânio.

Os dois saíram para as ruas geladas, e Tony começou a andar com seu refém pelo centro de Indianápolis. A polícia -que Tony tinha chamado quando estava na sala de Richard- já estava em cena com armas em punho. Mas os policiais haviam recebido um aviso surpreendente de Tony: ele tinha conectado o gatilho da espingarda a um anel em seu dedo indicador. Era o interruptor de um homem morto, mesmo se a polícia conseguisse um tiro certeiro, matando Tony, faria com que a espingarda disparasse na cabeça de Richard.

A polícia tentou freneticamente retirar os civis da ruas enquanto Tony conduzia Richard pelas calçadas. O momento mais tenso aconteceu quando Tony escorregou em um espelho de gelo e caiu. Richard caiu com ele, impedindo que a arma disparasse.




Pelos próximos três dias, Tony manteve Richard prisioneiro em seu apartamento, que ele alegou estar minado com dinamite. Tony falou por telefone com os negociadores da polícia, um repórter e pessoas aleatórias que encontrou na lista telefônica.

Tony se queixava que Richard queria executar a hipoteca de um empréstimo de 130.000 dólares que ele havia feito na empresa para comprar uma propriedade de 17 acres onde pretendia construir uma loja. Ele teve problemas para fazer os pagamentos e então tentou vender o terreno que valorizara substancialmente desde a compra. Tony estava convencido de que Richard estava enxotando potenciais compradores para tomar a propriedade valiosa para ele mesmo.

Ele exigiu uma desculpa pública e admissão de delito da empresa, o pagamento de sua dívida, e imunidade contra acusações civis ou criminais relacionadas com o sequestro de Richard.



M.L. Hall, o pai do refém, prontamente concordou em pedir desculpas por tudo o que a empresa foi acusada e a pagar a dívida de Tony imediatamente, tudo o que fosse necessário para que seu filho saísse ileso. O escritório do promotor do condado também prometeu a Tony imunidade se ele libertasse Richard.

Depois de um impasse de 63 horas, Tony levou Richard para a sala de recreação do prédio da polícia para uma conferência de imprensa. Ele preparara uma longa declaração que Richard devia ler, mas o refém, exausto, assustado e com uma ferida no pescoço sangrando, mal podia murmurar algumas palavras desconexas.




Tony então desencadeou um discurso de 23 minutos para as câmeras das redes de TV, gritando, xingando, rindo e até chorando. Alguns jornalistas pensaram que ele iria acabar atirando em Richard, para que eles terminassem a transmissão ao vivo em grande estilo.

Por fim, Tony caminhou pelo corredor até uma sala adjacente longe das câmeras e retirou a arma do pescoço de Richard. Ele abriu uma porta de correr de vidro e disparou para cima, para provar a todos que duvidavam que a arma estava de fato carregada.

Ele foi imediatamente detido. As promessas de imunidade, dado a mão armada, eram legalmente inexequíveis. Tony foi acusado de sequestro e prática de crime a mão armada. Mas depois de um julgamento de duas semanas, ele foi considerado inocente por razões de insanidade. No seu julgamento, psiquiatras disseram que ele parecia psicótico e apresentava um estado delirante paranóide durante o incidente.

Embora poderia ter sido solto em menos de seis meses, Tony recusou-se a se submeter a uma avaliação psiquiátrica. Ele passou 11 anos atrás das grades por desacato e foi solto em 1988.

A maioria das pessoas que conheciam Tony diziam que ficaram surpresas com o que tinha feito. Ele era comumente descrito como um homem útil e gentil com seus vizinhos, um trabalhador, e um rigoroso tipo respeitador da lei e da ordem.

Richard nunca falou publicamente sobre o calvário, mas amigos alegaram que ele mudou totalmente de comportamento. Ele saiu da empresa do pai e foi trabalhar em outra hipotecária depois de tudo isso. Os colegas de trabalho contam que ele passava o tempo todo olhando para fora da janela, como se Tony estivesse para voltar e pegá-lo. Hoje ele está aposentado e vive no estado do Wisconsin.

Tony morreu em 2005 em sua casa, de causas naturais Ele tinha 72 anos.





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