29 de mar de 2014

Adolescente diz que vício em selfie quase arruinou sua vida

  • "Isso quase tirou minha vida, mas eu sobrevivi e estou determinado a nunca entrar nessa coisa novamente."

O britânico Danny Bowman, de 19 anos, é possivelmente o primeiro caso conhecido de viciado confesso em selfie do mundo. Pode parecer engraçado, mas esse vício é tão grave e perigoso como qualquer outro. Na verdade, o jovem quase perdeu a vida por causa da sua obsessão na busca de tirar o selfie perfeito.

Danny costumava passar cerca de 10 horas, fazendo mais de 200 selfies em seu iPhone, todos os dias. Chegou a um ponto que seu vício era tanto que parou de ir à escola e não saiu de casa por mais de seis meses. Ele até perdeu quase 15 kg tentando ficar mais fotogênico. Quando seus pais tentaram detê-lo, ele se tornou agressivo. E em uma drástica tentativa final para se curar de sua doença, Danny teve uma overdose de drogas.

- "Eu estava constantemente na busca de tirar a selfie perfeita e quando eu percebi que eu não podia, eu quis morrer", disse ele. - "Perdi meus amigos, minha educação, minha saúde, e quase a minha vida."


Felizmente, Danny foi salvo por sua mãe Penny, antes do que seu vício pelo selfie reivindicasse sua vida. Ele agora está fazendo tratamento para dependência de tecnologia, TOC e Transtorno Dismórfico Corporal, que é uma ansiedade excessiva com a aparência pessoal.

- "A única coisa que eu queria era ter o meu telefone comigo para que pudesse satisfazer o desejo de capturar uma imagem de mim mesmo, a qualquer hora do dia", disse Danny. - "Eu finalmente percebi que nunca ia tirar uma foto que fizesse este desejo ir embora e isso foi quando eu cheguei no fundo do poço. As pessoas não percebem quando postam uma foto de si no Facebook ou Twitter, que pode rapidamente se tornar um espiral sem controle. Parece que se torna uma missão obter a aprovação de todo mundo e isso pode destruir qualquer um. É um problema real, como drogas, álcool ou jogos de azar. Eu não quero que ninguém passe pelo que eu passei."

De acordo com o Dr. David Veal, um dos principais psiquiatras envolvidos no tratamento de Danny, o vício ao selfie está lentamente tomando a todos.

- "O caso de Danny é particularmente extremo", disse ele. - "Mas este é um problema sério. Não é apenas uma questão de vaidade. É um transtorno mental que tem uma altíssima taxa de suicídios".

Fazer selfies e postar na rede se tornou a grande febre nos últimos anos, especialmente com celebridades. A palavra "selfie" foi nomeada a "palavra do ano" no ano passado pelo Dicionário Oxford de Inglês, só pra se ter uma ideia do quão popular o fenômeno se tornou.

Danny começou a postar selfies on-line, quando tinha apenas 15 anos de idade. Quando suas fotografias receberam alguns comentários negativos, ele lentamente começou a buscar a aprovação de seus pares.

- "Sabe aquele momento que você posta a foto e ninguém curte? Quando alguém escrevia algo bom, em me sentia ótimo, mas se escreviam algo cruel eu tinha vontade de me matar", disse ele. Em última análise, o objetivo de Danny era tornar-se um modelo masculino. Mas uma agência de modelos o rejeitou em 2011.

- "Eles me disseram que meu corpo não era adequado para ser um modelo e que a minha pele era horrível. Eu fiquei mortificado." Foi a partir daí que o vício tomou um rumo ladeira abaixo.

Quando chegou em casa naquela noite, tirou uma foto de si mesmo na frente de seu espelho. Ele não gostou, então fez outra, e outra e mais outra... E simplesmente não conseguia parar. Dentro de duas semanas, estava tirando quase 80 imagens antes mesmo de ir à escola. Assim que seu alarme disparava pela manhã, ele levantava e tirava 10 selfies. Depois, mais 10 após tomar banho e 10 após a hidratação. Ele mudava a iluminação e tentou várias salas e fundos.

- "Eu passava horas olhando para estas selfies no meu celular, examinando meus traços e pele. Tirei selfies na cama, no banheiro, e durante todo o dia até as primeiras horas. Eu olhava as fotos do meu ídolo, Leonardo Dicaprio, e depois fazia selfies em poses diferentes, tentando se parecer com ele. Mas eu me sentia cada vez mais feio."

As coisas não melhoravam quando Danny chegava à escola. Ele tinha se tornado realmente ansioso sobre como estava sua aparência no meio de suas aulas. Então fugia para o banheiro, clicava mais fotos e trancava-se em um cubículo para olhar como haviam ficado, até que um professor foi buscá-lo. Aos 16 anos, ele finalmente saiu da escola, limitando-se a comer uma maçã e uma tigela de cuscuz todos os dias obcecado em emagrecer e melhorar a sua pele. Embora tenha perdido um peso considerável, só conseguia ver um "monstro balofo" em seus fotos.

Os pais de Danny ficaram super preocupados com ele, mas estavam indefesos. Todos os seus esforços para detê-lo só eram recebidos com agressividade. E então, em um dia fatídico, em dezembro de 2012, aconteceu a tragédia. Danny começou a tomar pílulas, incapaz de lidar com o seu desapontamento com as fotos. Curiosamente, quando acordou no hospital, grogue e dolorido, a única coisa que conseguia pensar era que ele estaria vivo na sua próxima fotografia.

Danny parecia extremamente feliz por ser salvo na hora certa. Foi encaminhado para um hospital em Londres onde até hoje vem recebendo o tratamento adequado. Segundo o Dr. David Veal:

- "O tratamento comum é quando um paciente aprende gradualmente a ficar longos períodos sem satisfazer o desejo de tirar uma fotografia, junto com a terapia para tratar a causa raiz do problema. Isso pode ser qualquer coisa, de baixa auto-estima a problemas com o bullying no passado."

Toda a situação foi uma provação terrível para Robert e Penny, os pais de Danny.

- "Nós dois somos enfermeiros de saúde mental qualificados e isso sempre foi o nosso pior pesadelo", disse Robert. - "Há uma enorme falta de compreensão sobre os perigos das redes sociais e tecnologia móvel pode representar se um jovem já tem quaisquer inseguranças. É importante que os pais estejam cientes dos perigos e mantenham um olhar atento sobre o comportamento dos filhos e procurem ajuda se sentirem que é necessário."

A boa notícia é que Danny é um "selfie-abstêmio durante os últimos sete meses. Ele concorda que parece trivial e inofensivo.

- "Mas isso é a mesma coisa que o torna tão perigoso", disse ele. - "Isso quase tirou minha vida, mas eu sobrevivi e estou determinado a nunca entrar nessa coisa novamente."

Ele finalmente percebeu que curtidas em suas fotos e, por extensão, o que as pessoas pensam de você, não fazem nenhuma diferença na sua vida quando alguém está confortável consigo mesmo. Danny hoje não curtiu ninguém, não compartilhou nada e nem postou nem uma foto. Só por hoje!








. . .

Um comentário:

Anônimo disse...

Falta de laço!

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