27 de jul de 2015

Moradores de vilarejo do Cazaquistão caem no sono e intrigam cientistas

  • Desde 2013, uma misteriosa doença do sono vem afetando duas aldeias isoladas no norte do Cazaquistão.

Ao longo dos últimos dois anos, mais de 140 pessoas em Kalachi e Krasnogorsk dormiram repentinamente, às vezes durante uma caminhada ou andando de bicicleta, e, ocasionalmente, ficam inconscientes por até seis dias, acordando com a memória afetada, dores de cabeça e sonolência. Outros sofreram apagões temporários, bem como alucinações vívidas.

“A pessoa doente parece ser consciente e pode até mesmo estar em pé”, relatou o jornal Komsomolskaya Pravda, em 2014. “Mas, mesmo assim, em seguida, ele cai em um sono profundo e passa a roncar. Ao acordar, a pessoa não se lembra de absolutamente nada”.

Ninguém parecia imune ao que os médicos diagnosticaram como "encefalopatia de origem desconhecida", em todos acometidos, incluindo idosos e crianças em idade escolar que sofrem de sintomas. Até mesmo um gato teria sido afetado.


A principal suspeita para a doença era vodka falsificada. Mas quando se tornou mais amplamente difundido, muitos começaram a suspeitar que as minas de urânio próximas - fechadas após a queda da União Soviética - eram, de fato, as culpados. Eles simplesmente não conseguiam descobrir o motivo.

Agora, os cientistas pensam ter resolvido o mistério, e o governo de Kazakstani anunciou esta semana que a doença do sono experimentada nas aldeias é efetivamente uma forma de envenenamento, causada por grandes quantidades de monóxido de carbono e hidrocarbonetos sendo liberados no ar pela minas de urânio.

"As minas de urânio foram fechadas em algum momento, e, por vezes, uma concentração de monóxido de carbono ocorre por lá", disse o vice-primeiro-ministro, Berdibek Saparbaev, à imprensa. "O oxigênio do ar é reduzido, sendo a verdadeira razão para a doença do sono nestas aldeias”.

A conclusão faz sentido, já que o monóxido de carbono liga-se ao sangue humano com 200 vezes mais afinidade do que com o oxigênio, o que significa que apenas uma pequena quantidade é o suficiente para cortar o transporte de oxigênio para o cérebro de alguém.

Mas nem todos estão convencidos. "Os sintomas se encaixam", disse Claude Piantadosi, um especialista em pulmão no Centro Médico da Universidade Duke, nos EUA, "Mas os sintomas não são específicos. Esse é o problema”, completou. Zhang também acrescenta que parece improvável que as minas de urânio fechadas lancem níveis perigosos de monóxido de carbono, que é um subproduto da combustão.

O governo local está atualmente evacuando os moradores restantes nas aldeias para evitar mais doenças, até que um relatório final sobre o caso seja elaborado, depois de estudos mais aprofundados. 






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