8 de ago de 2015

Leia o relato terrível de uma testemunha do bombardeio de Hiroshima

O 3 e o 6 de agosto de 1945 são datas que viverão para sempre na memória coletiva: nas respectivas datas, Harry S. Truman, então presidente de Estados Unidos, autorizou o uso de bombas atômicas sobre populações majoritariamente civis nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em uma das estratégias bélicas mais controversas da História. 

A decisão cobrou a vida de 129 mil e 246 mil pessoas nas respectivas datas, e deu origem a era nuclear.

Um post no World Post chama a atenção sobre o assunto; é o relato de uma testemunha viva da bomba de Hiroshima: Dona Setsuko Thurlow, uma ferrenha ativista pelo desarmamento nuclear, descreve a circunstância que viveu logo após a explosão da "Fat Man". Se você é sensível, aconselho que pare de ler aqui, pois a narrativa é simplesmente terrível:




"Com os olhos da estudante de treze anos que era por aquele então, fui testemunha de como minha cidade, Hiroshima, ficou cega por um enorme lampejo, arrasada por uma onda expansiva tempestuosa, abrasada por um calor de quatro mil graus Celsius e contaminada pela radiação de uma bomba atômica.

De forma milagrosa, fui resgatada entre os escombros de um edifício destruído, a uns 1,8 quilômetros da Zona Zero (ponto onde a bomba foi detonada). A maioria de meus colegas de classe, na mesma sala de aula, arderam vivos. Ainda posso escutar suas vozes chamando suas mães e pedindo ajuda a Deus.

Enquanto eu escapava com outras duas garotas sobreviventes, vimos uma procissão de figuras fantasmagóricas que se arrastavam lentamente desde o centro da cidade. Pessoas com feridas grotescas, com a roupa em farrapos ou completamente nuas pela onda expansiva. As feridas sangrentas, as queimaduras, as peles enegrecidas e queimadas como carvão. Pessoas se arrastando sem partes do corpo, carne e pele penduradas nos ossos, alguns seguravam os olhos entre as mãos, outros com os ventres rasgados e abertos, sustentavam seus intestinos.

Após um único lampejo de luz, minha querida Hiroshima converteu-se em um lugar desolado, com montanhas de esqueletos e cadáveres torrados por todos os lados. De uma população de 360.000 habitantes -a maioria mulheres, crianças e idosos civis- a maioria foi vítima indiscriminada do massacre causado pela bomba atômica.

Até o momento, 250.000 vítimas de Hiroshima pereceram por causa da onda expansiva, do calor e da radiação. Setenta anos mais tarde, as pessoas seguem morrendo por culpa dos efeitos a longo prazo de uma bomba atômica que hoje resulta primitiva, segundo os modelos atuais de destruição em massa.

Algumas semanas atrás, quando se aproximava a data do septuagésimo aniversário dos bombardeios sobre Hiroshima e Nagasaki, várias pessoas me perguntaram pelas lembranças que guardo em relação àqueles dias de 1945, quando o mundo mudou para sempre. A primeira coisa que me assalta a mente é a visão de meu sobrinho de quatro anos, Eiji, totalmente carbonizado, queimado como carvão e inchado. Enquanto agonizava, seguia pedindo água com um fio de voz. Se não tivesse sido vítima da bomba atômica, agora teria 74 anos.

É uma ideia que me impacta. Deixando de lado a passagem do tempo, meu sobrinho permanece em minha memória como o menino de quatro anos que representa todas as crianças inocentes do mundo. E foi a morte dos inocentes a que me deu o impulso para continuar com minha luta contra as armas atômicas, contra a maldade feita tecnologia. A imagem de Eiji está gravada em minha retina."




















. . .

Um comentário:

Anônimo disse...

Notas
1)Hiroxima havia sido escolhida como alvo da bomba atômica muito antes de agosto de 1945. Assim a cidade não foi atingida por bombas convencionais, pois os Estados Unidos queriam medir os efeitos da Bomba atômica exclusivamente. Alem de Hiroxima e Nagasaki, Kyoto, a capital religiosa do Japão, era também uma alternativa, não sendo atingida por uma das duas bombas, pois no dia do ataque as suas condições climáticas não eram favoráveis...

2) A bomba explodiu a cerca de 600 metros de altura para aumentar o raio de abrangência de seus efeitos de destruição imediata. (por onda de choque, pulso térmico, etc.).

3)A onda de choque comprime o ar gerando ventos de até 600 km/h (no caso da pequena potência das duas bombas que explodiram no Japão).

4)Um dos sintomas da exposição à intensa radiatividade é uma sede incontrolável.

5)Antes da explosão o tempo estava bom em Hiroxima. Após a explosão, passado os efeitos imediatos (onda de choque, elevadíssimas temperaturas, radiação etc.) estranhas condições meteorológicas surgiram: No meio do dia um violento vendaval de 4 horas devastou ainda mais a cidade. À noite, uma parte da cidade foi castigada por uma chuva negra, oleosa e radioativa.

* É comum ouvir historiadores, analistas ou repórteres hoje em dia reforçar a tese de que as explosões das bombas apressaram o fim da guerra poupando a vida dos soldados que deveriam invadir o Japão. Porém tal versão não encontra respaldo na realidade dos fatos. Mesmo Churchill (líder dos Ingleses durante a II Guerra), afirma o contrário em suas memórias (livro Memórias da Guerra) onde escreveu: “É um erro supor que o destino do Japão foi decidido pela bomba atômica. A derrota do Celeste Império já estava assegurada antes de ser lançada a primeira bomba e ao esmagador poderio naval aliado é que se deve atribuir essa derrota. Somente esse poderio tornara possível a conquista de bases no Pacifico, de onde seria desencadeado o ataque final que, sem disparar um tiro, forçaria a capitulação do exército japonês”. (Nota: A frota de guerra japonesa havia sido praticamente destroçada na batalha de Midway no Pacífico).

As afirmações de Churchill foram confirmadas pelo “Relatório de Guerra do Pacifico” de autoria do “United States Strategic Bombing Survey”, segundo o qual “mediante a ação coordenada de um bloqueio e de um ataque aéreo direto seria possível obrigar o Japão a render-se sem ser invadido”.

O fato é que o holocausto de Hiroshima e Nagasaki foi uma calculada demonstração de força por parte dos Estados Unidos para todo o mundo, e, em particular, para a União Soviética de então.

Seja qual for o argumento ou ponto de vista, o que poderia justificar este premeditado atentado contra a humanidade? Nas duas cidades, instantaneamente morreram 200.000 pessoas, e outras tantas lentamente, ao longo dos anos, pelo efeito da radioatividade.

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