1 de ago de 2012

Pequena aldeia na Sibéria é atormentada por mistério macabro


  • Descoberta de 248 fetos humanos revive más lembranças de cinco anos atrás, quando 15 corpos em decomposição de meninas sequestradas foram encontrados em cidade vizinha


Na Sibéria, um mistério um tanto quanto sombrio teve início quando um pescador da aldeia de Lyovikha atravessava a floresta da região no domingo de 22 de julho e se deparou com algo que mal conseguiu distinguir.

Espalhados perto de seus pés e esparramados para fora de barris industriais de alumínio estavam 248 corpos minúsculos, os restos mumificados de fetos, muitos deles com uma etiqueta na qual estava escrito um sobrenome.

Abalado com o acontecimento, a ponto de passar o dia seguinte inteiro lutando contra náuseas, segundo seus amigos, o pescador voltou para a aldeia e chamou a polícia.

A polícia confirmou que essa não foi a primeira ligação como essa que recebeu de Lyovikha, uma aldeia que se afundou no alcoolismo e na criminalidade após o colapso da União Soviética, quando a mina de cobre local que empregava a maioria de sua população masculina fechou.


Cinco anos atrás, um cão estava farejando em torno de algumas árvores e descobriu 15 corpos em decomposição de mulheres e meninas com uma média de 13 anos de idade, sequestradas da cidade vizinha de Nizhny Tagil por uma gangue de homens locais com o objetivo de forçá-las a se prostituírem.

  • Buscas


Mas, apesar do perturbador número de corpos, especialmente preocupante foi o quão pouco a polícia aparentemente havia feito para procurar essas mulheres, desaparecidas há anos – uma dentre as muitas casualidades do colapso de uma economia industrial.

Desde a chegada da polícia ao local dos fetos abandonados na semana passada, as autoridades emitiram novas atualizações sobre a desagradável descoberta.

Uma comissão especial anunciou que os fetos foram doados para a Academia de Medicina de Ural para fins de pesquisa. Autoridades disseram que os fetos maiores tinham cerca de 22 a 26 semanas de idade, já além do limite de 12 semanas para o aborto conforme as leis locais, e não excluíram a possibilidade de que nasceram prematuramente.

Mas com muitas perguntas ainda não respondidas, a descoberta provocou uma nova rodada de questionamentos - especialmente por parte da Igreja Ortodoxa Russa, que está no meio de uma campanha para tentar acabar com o aborto. Um oficial de alto escalão da Igreja chamou as evidências de “a degradação da nossa sociedade" e disse que a Rússia nunca reconstituirá sua população se continuar "tratando suas crianças não nascidas como lixo."

Mas o fato não causou muita comoção em Lyovikha, onde às 11h da manhã já se veem cães de rua vagando pela aldeia com casas em condições precárias e uma considerável quantidade de pessoas bêbadas logo cedo.

"Não há futuro para essa aldeia", disse Alexander Tveretinov, 57 anos, cujo filho levou a polícia até os fetos. "Estávamos acostumados a ter 18 mil habitantes, agora temos apenas 4 mil. Metade de nossa população é composta por vagabundos. E, a cada dia, um de nós morre."

  • Crimes


Embora não exista nenhuma conexão direta entre os dois achados, ambos demonstraram o desespero das pequenas cidades do cinturão da ferrugem (antiga área de indústria pesada) da Rússia após a queda da União Soviética.

Muitos moradores da aldeia imediatamente assumiram que os fetos descobertos no domingo estavam sendo usados no tráfico de seres humanos, possivelmente para fornecer matéria-prima para procedimentos estéticos ou médicos. Vadim Dubichev, assessor de governador da região, disse que esse acontecimento lembrou o caso das mulheres encontradas em 2007.

Houve pouca discussão sobre a descoberta em Lyovikha, um lugar que enfrenta um tipo de morte lenta. Sua entrada é estampada com o slogan "Glória ao trabalho! Glória aos mineiros!", mas a mina está coberta com água lamacenta, e como disse Tveretinov: "Não há mais necessidade de pessoas morando aqui."

A população atual vive com pensões que o governo pagas aos idosos, que é suficiente para abastecê-los com vinho barato.

Por Ellen Barry - IG



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