16 de out de 2016

A surpreendente história de como uma das tribos mais remotas do mundo conseguiu sobreviver ao tsunami de 2004

Não há certeza, mas acham que eles migraram da África há uns 60.000 anos, vivendo como caçadores coletores desde então. Sua subsistência deve-se à caça, pesca e colheita de plantas silvestres. 

Não há nenhuma evidência de que pratiquem a agricultura ou o uso do fogo. Nem sequer sabemos bem seu nome, pois quase ninguém que teve contato com eles conseguiu sobreviver para contar história.

São conhecidos como sentineleses (ou sentinelas) devido a que vivem na ilha Sentinel do Norte, que pertence ao arquipélago das Ilhas Andamã, no oceano Índico, que são administradas oficialmente pela Índia. Em todos estes séculos, os contatos com o mundo externo foram mínimos e quase nunca terminaram bem... para os "homens brancos".

No século XIII, Marco Polo escreveu sobre eles: - "Se um estrangeiro chegar a suas terras é morto imediatamente e, ato seguido, vira refeição."





E a coisa não melhorou com o tempo. Em 1967, as autoridades indianas de Port Blair iniciaram um programa de contato, mas tiveram que desistir pelos ataques. Em 1974 uma equipe de televisão quis filmá-los e o diretor terminou flechado e não morreu por pouco. Em 1990 outra equipe inteira virou ceia de sentineleses. Vários navios naufragados tiveram problemas também, mas conseguiram ser resgatados a tempo.



O último episódio ocorreu em janeiro de 2006, quando os sentineleses acabaram com a vida de dois pescadores que se aproximaram de suas praias para catar caranguejos e foram "catados". Por esta razão, as autoridades indianas decidiram declarar a ilha reserva natural e proibiram terminantemente a passagem de qualquer um pelo local.

Calcula-se que ali devem viver entre uns 300 e 800 sentineleses, ainda que as câmeras nunca registraram mais de 40.

Em 2004, o terremoto que sacudiu o Índico afetou poderosamente a região, especialmente a Sentinel do Norte já que se encontrava bem perto do epicentro, sendo açoitada também pelo tsunami. Um helicóptero foi enviado a comprovar se a tribo tinha desaparecido. No entanto, encontraram indícios de que ao menos vários tinham sobrevivido.

Surpresos, as autoridades visitaram outras tribos mais sociáveis, como os Jarawa, descobrindo que assombrosamente nenhum deles morreu durante o acontecimento. Isto levou os pesquisadores a se perguntar como tinham conseguido se salvar da grande onda.

Com a ajuda de uma tradutora os pesquisadores da organização Survival International conseguiram o depoimento dos Jarawa:

- "Quando os jarawa sentiram a terra tremer, imediatamente foram ver os pescadores de sua tribo, que disseram aos chefes que o 'mar tinha sumido'."

Que o mar retroceda várias centenas de metros é um efeito comum dos tsunamis, antes que a grande onda apareça. Uma antiga canção tribal que passa de geração em geração, explica que - "Quando a terra fica irada e o mar desaparece a tribo deve correr e se esconder dos espíritos malignos no bosque de Balughat", que não por acaso é o ponto mais alto de sua ilha. É por esta razão todos conseguiram sobreviver.

Os pesquisadores consultaram também à tribo dos Onge e descobriram que eles também contam um conto popular que é transmitido de pais a filhos. A história relata que - "quando a terra treme, uma parede de água maldita vem para levar os Onge, que são precavidos e fogem para as montanhas."



Ante a impossibilidade de poder conversar com os sentineleses (sem virar comida), os antropólogos acham que eles também possuem histórias similares, pois estas tribos milenares já sobreviveram a muitos destes cataclismos.

Fonte



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