23 de ago de 2016

Alteração dos campos magnéticos causou extinção em massa, diz pesquisa

Cerca de 550 milhões de anos atrás, o campo magnético da Terra virou rapidamente suas orientações, trocando norte e sul e desencadeando a extinção maciça que encerrou o Período Ediacarano, descobriram os pesquisadores. Eles afirmam que a hiperatividade de campos magnéticos da Terra pode ter levado à destruição da camada de ozônio e um aumento da radiação ultravioleta (UV) que chegava à Terra.

Acredita-se que essas mudanças rápidas possam ter conduzido à “explosão cambriana”, quando criaturas invertebradas foram rapidamente substituídas por novas espécies complexas de animais que poderiam escapar da luz. Organismos do Período Ediacarano eram grandes invertebrados. Estes organismos viveram entre as grandes massas de bactérias no fundo do oceano, impedindo o oxigênio de chegar lá. O declínio deste período é marcado pela crise Kotlinian, na qual muitos desses organismos foram extintos.

Quando a explosão Cambriana ocorreu, 542 milhões de anos atrás, animais vertebrados mais complexos e com olhos sofisticados surgiram, quebrando as esteiras bacterianas. Isso fez com que o mar se tornasse mais hospitaleiro, de acordo com a Science, deixando o oxigênio se dissolver na área.


Pesquisadores têm argumentado muitas causas possíveis para a explosão Cambriana, desde o aumento de oxigênio atmosférico até o aumento das espécies carnívoras. Mas, a nova hipótese afirmada por pesquisadores dos Estados Unidos e da Rússia sugere que as mudanças evolutivas podem ter se originado a partir das reversões de campo magnético da Terra.

“O campo magnético da Terra passou por um período de reversões hiperativas”, explicou à Science, Joseph Meert, um geólogo da Universidade da Flórida em Gainesville.

Um período de reversão pode ocorrer ao longo de 7 mil a 10 mil anos, enfraquecendo a camada de ozônio entre 20% e 40% em algumas áreas, permitindo à radiação solar mais malefícios e raios cósmicos. Os pesquisadores estudaram registros magnéticos conservados pelos minerais de 550 milhões de anos, de rochas dos Montes Urais, na Rússia Ocidental, revelando que os campos magnéticos podem ter se invertido a uma taxa vinte vezes mais rápido no Período Ediacarano do que hoje.

Isso poderia ter dobrado a quantidade de UV que atinge a superfície da Terra. Com mais radiação UV chegando, animais que escapam da luz teriam uma chance muito maior de sobrevivência. “Nós argumentamos que a combinação de menos ozônio com a radiação incidente mais elevada resultou na extinção de organismos de Ediacarano, e favoreceu o surgimento de organismos capazes de se enterrarem na vertical ou adaptações de proteção para sobreviver aos danos no DNA da radiação UVB”, segundo o artigo publicado na Science Direct.

Conchas duras e olhos complexos permitiriam que os organismos se abrigassem, fugindo da luz. As novas características também dariam condições para que prosperassem em áreas mais profundas, com ondas fortes. Embora a hipótese forneça uma nova explicação para a explosão Cambriana, foi recebida com ceticismo por outros pesquisadores, segundo a Science. Alguns argumentam que, enquanto a radiação UV aumentasse durante os períodos de enfraquecimento de campos, os efeitos seriam limitados a uma escala evolutiva.

Os pesquisadores agora estão analisando as evidências da reversão em sedimentos de amostras do Período Ediacarano para encontrar provas de níveis elevados de UV nos fósseis.

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